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6 de Abril de 2020

Seja sem-vergonha!

Cristiane Gracia Campos, Advogado
há 2 meses

Você já levou um soco no estômago? Ou já se sentiu como se tivesse levado? Dói, não dói?

Hoje eu vou falar sobre as dores que nos são causadas por outras pessoas e que às vezes a gente pode ficar com essa dor nos remoendo, nos impedindo de ir adiante ou então podemos extravasar o assunto para que essa dor vá embora.

Um dia desses li no livro “A coragem de ser imperfeito” de Brené Brown, que quando atrelamos nossa arte ou nosso produto à nossa autoestima, entramos numa enrascada porque transferimos nossa autoestima para o que as pessoas pensam.

Se a receptividade sobre o que apresentamos não for das melhores, ficaremos arrasados e nos fecharemos. É neste ponto que a vergonha nos aconselhará: você não é bom o bastante! Você não é talentoso! Você já deveria saber disso!

Por que isso acontece? Porque a vergonha detesta ser o centro das atenções. Ela nos leva ao isolamento, à culpa, à timidez.

E quando a sua autoestima não está em jogo? Você se arrisca? Aposto que sim. Tenho certeza que você fará o que precisa fazer com coragem, correndo o risco de se expor e sem medo de errar.

Você deve estar se perguntando: o que o soco no estômago tem a ver com a autoestima e com a vergonha? Pirou?

Não, não pirei. A dor de ter o dedo apontado para você fará com que você sinta vergonha e se sinta constrangido, humilhado. Se você for perfeccionista, então, será a morte.

Vejam que estou falando sobre a dor que é causada por uma crítica que abala nossa autoestima e não sobre um feedback profissional, que é necessário para nosso crescimento.

Vou dar um exemplo vivido por mim. A vergonha está aqui agora me dizendo: não faça isso, não vá se expor! Mas vou fazer a vergonha murchar aqui agora.

No ano passado fiz um curso em que havia uma dinâmica de grupo. Nessa dinâmica, deveríamos falar qual era a nossa dificuldade e após, sentaríamos em uma mesa e os outros participantes viriam nos ajudar.

Como expus meu problema, que era a dificuldade que tenho em gravar vídeos, um grupo veio me auxiliar e todos ficaram em pé, exceto uma pessoa, que puxou a cadeira e se sentou bem à minha frente.

A dinâmica foi ótima até que a pessoa que havia se sentado começasse a falar. Ela primeiro falou sobre meu cabelo, depois falou sobre minha postura. O que essa pessoa disse depois eu não ouvi. Travei. Senti vergonha de ter sido exposta daquela maneira perante os colegas.

O fato de querer “desaparecer” do local não significa que eu tivesse concordado com o que essa pessoa disse. Acho que foi um ato de extrema deselegância. E por que isso tudo me incomodou? Porque mexeu com minha autoestima. E por que mexeu com minha autoestima? Creio que tenha sido pela minha característica de ser perfeccionista.

O fato é que depois disso, a desmotivação tomou conta de mim e eu me fechei no meu casulo e ali fiquei até que uma colega, que tem asas de anjo, se propôs a me ajudar e me deu uma tarefa: fale sobre o assunto!

É por isso que estou aqui hoje falando sobre este tema, para colocar a minha vergonha para fora, a ponto que eu conseguisse gravar um vídeo. E pasmem, gravei o vídeo sem qualquer dificuldade!

Assim como eu consegui vencer esta barreira, tenho certeza de que você também conseguirá.

Não deixe que qualquer assunto ou qualquer pessoa atinja sua autoestima! Seja sem-vergonha!

4 Comentários

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Que texto incrível!! Agradeço muito a sua coragem de escrevê-lo. Fiquei muito inspirada com tudo o que li! continuar lendo

Obrigada, dra. Nathalie! continuar lendo

Dra. Cristiane, ótimo texto. Motivador. Parabéns! continuar lendo

Obrigada, Priscylla! continuar lendo