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2 de Junho de 2020

Tempos modernos na Advocacia.

Cristiane Gracia Campos, Advogado
há 10 meses

Este é o meu primeiro artigo para o Jus Brasil, imediatamente após ler “Escritório engessado? Estagnado? Experimente isto...”, de autoria da Dra. Fátima Buregio.

As duas frases do supracitado artigo que mais me impactaram foram:

· “Estamos em meados do ano, e o que você já fez em prol da melhoria da sua banca e marca, hein?”

· O mundo é digital, o banco é digital, as redes sociais estão bem aí debaixo do nosso nariz (...)”

Meu Deus, quando parei no tempo que não percebi? Acho que sei quando foi.

Sempre advoguei em ambiente corporativo, em grandes empresas. E trabalhando na área de Direito Administrativo (Licitações e Contratos), vivemos literalmente dentro das empresas e em um mundo particular, que só respira esse tema.

Em 2016, após voltar da França (onde vivi por um ano), resolvi dar uma guinada de 360 graus na minha carreira e parti para carreira solo num ramo totalmente diferente do que sempre atuei: o Direito Previdenciário.

A partir desse momento, comecei a me deparar com um mundo completamente novo e que traduz muito bem o que a Dra. Fátima mencionou: tudo havia se tornado digital. Como eu não percebi?

Num primeiro momento, saí feito louca atrás do prejuízo, me matriculando em todos os cursos que eu poderia absorver. No meio do caminho, conheci a advocacia digital. Advocacia digital? E por acaso existe alguém que consegue atender o cliente on line? E como fica os “olhos nos olhos, quero ver o que você faz”?

Bem, para minha surpresa, havia sim um precursor na advocacia digital, o Dr. Eduardo Koetz. Ora, pensei, se ele consegue ser bem sucedido, eu também consigo. Pronto: mais um curso à vista.

Comecei a compreender que a advocacia atual transita perfeitamente no marketing e os termos “persona”, “live”, “likes”, “stories”, “geração de conteúdo”, “vídeos”, “cronograma de postagens”, “meetup”, etc, etc, fazem parte dessa turma jovem que nasceu com uma câmera na mão e que desbanca, sem fazer força, um William Bonner no Jornal Nacional.

Na minha época (lá vou eu denunciar minha idade...) era cada um no seu quadrado: o advogado era formal (não que não o seja), sentado em sua máquina de escrever, com aquela gravatinha borboleta digna de um James Bond, fumando um cachimbo na sua sala, com toda a pompa a que tinha direito.

Quando imaginaríamos ter que ficar “gerando conteúdo”? E falando para a câmera então, com toda essa naturalidade, como se ela fosse nossa melhor amiga?

É, meus caros, o mundo mudou. E o meu mudou também.

Só não se mexe quem já morreu.

Então, bem que tento correr atrás de entender as “personas” que devem habitar o meu escritório, ensaio, ensaio e ensaio para conseguir fazer um vídeo (até agora só um, de teste) e com isso tudo, deixo o meu marido, com os poucos cabelos que tem, literalmente em pé com as minhas maluquices, do tipo:

- Quero colocar uma rádio no meu Instagram!

- Rádio? pergunta ele.

-Sim, quero dar notícias sobre jurisprudência para as pessoas entenderem.

E lá fomos nós “produzir” a nossa rádio, que foi ao ar hoje, no meu Instagram @conversa_legal.

E assim vou eu, pouco a pouco, tentando entrar neste mundo que veio para ficar e ninguém me avisou!

Que Nossa Senhora do Marketing me proteja!

4 Comentários

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Cara Dra @cristianegarcia !
Fiquei em extremo feliz em saber que o meu texto alcançou a sua mente, fazendo-a repensar alguns vetores para incrementar ainda mais a sua banca.
Muito obrigada pela sinceridade expressa em suas palavras e que vc seja bem sucedida em seus projetos.
A ideia da rádio é fantástica!!!
Parabéns! continuar lendo

Eu que agradeço o compartilhamento de suas ideias! Que bom que gostou da rádio. A rádio servirá para "explicar" um pouco jurisprudência para quem não é operador de direito.
PS: meu sobrenome é Gracia...rs continuar lendo

Dra. Cristiane,
Sem palavras seu texto está perfeito! nos faz refletir e partir para ação, pois "só não se mexe quem já morreu". Amei! Muito sucesso nos seus objetivos na carreira. continuar lendo

Obrigada, Dra. Viviane! continuar lendo